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sexta-feira, março 18, 2011

O pequeno príncipe e a raposa ......................



O pequeno príncipe e a raposa






E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho, que se voltou, mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? Perguntou o principezinho. Tu és bem bonita...
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa. Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
- Após uma reflexão, acrescentou:
- Que quer dizer “cativar”?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos d uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
...Mas a raposa voltou a sua idéia.
- Minha vida é monótona. Eu caço as galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como cheia de sol. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora da toca, como se fosse música. E depois, olha! Vês, lá longe, os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando tiveres me cativado. O trigo, que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento no trigo...
E a raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
- Por favor... cativa-me! Disse ela.
- Bem quisera, disse o principezinho, mas não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres um amigo, cativa-me!
- Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.
- É preciso ser paciente, respondeu a raposa. Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mau-entendidos. Mas, a cada dia, te sentarás mais perto...
No dia seguinte o principezinho voltou.

- Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração...É preciso ritos...
... Assim o principezinho cativou a raposa. Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar.
- A culpa é tua, disse o principezinho, eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse...
- Quis, disse a raposa.
- Mas tu vais chorar! Disse o principezinho.


- Vou, disse a raposa.
- Então, não sais lucrando nada!
- Eu lucro, disse a raposa, por causa da cor do trigo.
Depois ela acrescentou:
- Vai rever as rosas. Tu compreenderás que a tua é única no mundo. Tu voltarás para me dizer adeus, e eu te farei presente de um segredo.
Foi o principezinho rever as rosas:
- Vós não sois absolutamente iguais a minha rosa, vós não sois nada ainda. Ninguém ainda vos cativou, nem cativaste a ninguém. Sois como era minha raposa. Era uma igual a cem mil outras. Mas eu fiz dela um amigo. Agora ela é única no mundo.
E as rosas estavam desapontadas.

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é porém mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob uma redoma. Foi a ela que eu abriguei com o paravento. Foi dela que eu matei as larvas ( exceto duas ou três borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.
E voltou, então, à raposa:
- Adeus, disse ele...
- Adeus, disse a raposa. Eis o meu segredo. É muito simples: só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos.
- O essencial é invisível para os olhos, repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.
-Foi o tempo que perdeste com a tua rosa que fez tua rosa tão importante.
-Foi o tempo que perdi com a minha rosa... repetiu o principezinho a fim de se lembrar.
- Os homens esqueceram essa verdade, disse a raposa. Mas tu não deve esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. Tu és responsável pela rosa...
- eu sou responsável pela minha rosa... repetiu o principezinho, a fim de se lembrar.


Sinto-me responsável por todos aqueles que eu cativei, ou que me cativaram. Isso é fácil? Não. Por vezes deixo de cuidar bem de cada um, com carinho e atenção que merecem. Mas cada amigo é para mim algo inestimável. É a grande oportunidade de aprender e de crescer como pessoa.Há pessoas que são um equívoco, que talvez eu não soubesse cativar, ou que talvez eu reconhecesse nelas as minhas fraquezas e defeitos, e sendo assim eu descartei, deixei de lado de uma vez. Outras o tempo e espaço separaram, mas são como o trigo para mim, uma simples recordação me remete aos bons momentos juntos.Eu amo todos que me cercam. Gostaria que todos soubessem, caso eu não tenha dito. As palavras, às vezes ficam travadas em nossa garganta, simplesmente não saem. Mas quando me encontrar, saiba que é com um grande abraço que retribuirei tua amizade.

O Principe Safire da Terra de Prata


 


Resumo do episódio: (traduzido do site oficial, pela Comentarista Anita)
O Principe Safire da Terra de Prata era, na verdade, uma garota. Ela foi criada como um principe, disfarcada de menino, pois uma garota nao poderia herdar o trono.
Além desse problema, por causa de uma brincadeira feita por um anjinho chamado "Ching", ela nasceu com a mente de um menino e o corpo de uma menina.
Depois de uma bronca de Deus, Ching tem que vir a terra devolver a Safire sua mente de garota. Mas sob as circunstancias atuais, parece melhor deixar que ela continue pensando como um garoto.
Ching entao decide esperar e ver como Sapphire irá se virar por hora.

 ACHEI ESSE POSTE NUM BLOG AO TA AI O  ENDEREÇO.
{http://www.comentariosemserie.com/1970/04/princesa-e-o-cavaleiro-s01e01-o-prncipe.html}
ME LEMBREI DA MINHA INFANCIA, ONDE EU SONHAVA, ESSE DESENHO ANIMADO QUE PASSAVA ERA MUITO LINDO, EU SEMPRE FUI FÃ DA PRINCESA E O CAVALEIRO.
FOI MUITO BOM RELEMBRAR, EU E MEUS IRMAOS  NAQUELA EPOCA NOS DIVERTIAMOS MUITO, ERAMOS CUMPLICES, ISSO ACONTECE ATE HJ, NINGUEM , NINGUEM NESSE MUNDO VAI TIRAR ISSO DA GENTE.A BELEZA E A MAGIA DE SERMOS CRIANÇA.
OBRIGADA DEUS POR ELES EXISTIREM E TEREM FEITO PARTE DA MINHA INFANCIA.




domingo, novembro 07, 2010

O PEQUENO PRINCIPE...........

Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas.
 Foi o tempo que dedicastes à tua rosa que fez tua rosa tão importante"
Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível aos olhos.
                                                                      O PEQUENO PRINCIPE
“Quando a gente acaba a toalete da manhã, começa a fazer com cuidado a toalete do planeta.”
Perplexo com as contradições dos adultos, o pequeno príncipe simboliza a esperança, o amor e a força inocente da infância que habita o nosso inconsciente.
Extraordinário e misterioso, ele vive em um planeta muito pequeno. Lá, um dia, apareceu uma flor...
            A ROSA                                                         

“É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas”....
Ela começou a crescer, parecia vir do nada. Ficou horas se arrumando e ajeitando suas pétalas... E é linda! Mas também orgulhosa, caprichosa e contraditória.


O pequeno príncipe apaixona-se e vive para atender aos seus caprichos: um lanchinho, o para-vento, uma redoma. Mas ela nunca está satisfeita e o nosso herói decide partir.

Embora pareça contraditória, entre caprichos e sabedoria, a rosa é extremamente feminina e sedutora. Por isso, cativa o coração do principezinho. 
O PITOLO
“As pessoas grandes aconselharam-me deixar de lado os desenhos de jibóias abertas ou fechadas.”
Foi desencorajado, aos seis anos, pelos adultos que não reconheceram a sua sensibilidade artística e a sua capacidade de ver além das aparências. Mas anos depois, longe de todos, desenha a sua própria história.

O piloto é a prova de que nunca é tarde para irmos atrás dos nossos sonhos. 
                                                              O REI

"É preciso exigir de cada um
o que cada um pode dar"
É o primeiro dos “donos do mundo” que o pequeno príncipe encontra nas galáxias. O rei pensa que tudo e todos são seus súditos e tem necessidade de controlá-los. Mas, com sabedoria, nos ensina que cada um só pode dar aquilo que tem.
                                                             O VAIDOSO
"Mas o vaidoso não ouviu.
Os vaidosos só ouvem elogios."
O vaidoso precisa da admiração de todos para comprovar o seu valor.

Ele nos faz lembrar que precisamos reconhecer nossos próprios talentos e capacidades, e não depender de elogios dos outros para nos auto-afirmar.
                                                                 O BEBADO.

“– Por que é que bebes?
– Para esquecer.
– Esquecer o quê?
– Esquecer que eu tenho vergonha.
– Vergonha de quê?
– Vergonha de beber!”
O bêbado tenta escapar da realidade por meio do álcool, mas não consegue escapar da vergonha de ser como é. O seu desabafo é um alerta contra todos os vícios.
                                                                   HOMEM DE NEGOCIOS

– E de que te serve possuir as estrelas?
– Serve-me para ser rico.
–E para que te serve ser rico?
– Para comprar outras estrelas, se alguém achar.
Esse aí, disse o principezinho para si mesmo, raciocina um pouco como o bêbado.
O homem de negócios está tão ocupado contando o que acumulou que não pode desfrutar da vida. O pequeno príncipe nos faz ver que isso também é um vício.

É preciso valorizar quem você é, e não o que você tem.
                                                          ACENDEDOR DE LAMPIOES
"Aí é que está o drama! O planeta de ano em ano gira mais depressa, e o regulamento não muda!"
Um bom homem cumpre o seu dever. Mas como ele mesmo diz, " É possível ser fiel e preguiçoso..."

O universo está em constante evolução. O homem, as crenças e as relações humanas também. Mas o acendedor de lampiões não tem o bom senso de questionar as ordens e trabalha sem parar, mesmo sabendo que não vai chegar a lugar algum.
                                                          O GEOGRAFO
'É muito raro um oceano secar, é raro uma montanha se mover...."
O geógrafo sabe toda a teoria, mas não aplica seus conhecimentos. Nunca sai da sua mesa para explorar as descobertas. Como um bom burocrata, declara que isso é trabalho de outra pessoa.

É ele quem recomenda ao pequeno príncipe que visite o planeta Terra. E deixa o principezinho abalado quando lhe conta que sua flor é efêmera... 
                                                     A JIBOIA
"‘Por que é que um chapéu faria medo? ’
[...] Desenhei então o interior da jibóia, para que as pessoas grandes pudessem compreender. Elas têm sempre necessidade de explicações."
A jibóia desenhada pelo piloto quando criança é o ícone que nos ensina a ver além das aparências.

                                                    O ASTRONOMO TURCO.

"Mas ninguém lhe dera crédito por causa das roupas que usava. As pessoas grandes são assim."

Os adultos, especialmente os sofisticados materialistas, julgam pelas aparências. Por isso, o astrônomo turco é desprezado pela comunidade científica até aparecer em elegantes roupas ocidentais..
                                                        A RAPOSA...............
  
“Tu te tornas eternamente responsável
por aquilo que cativas.”
A sábia raposa ensina o pequeno príncipe a compartilhar. E explica-lhe que, apesar de existirem milhares de flores parecidas, a dele é única, e foi o tempo que ele dedicou a ela que a fez tão importante.
Cativar quer dizer conquistar e requer responsabilidade. Responsabilidade por um amor, por um amigo, pelo talento que possuímos e pelo que conquistamos em nossa carreira profissional e pessoal.
Seja responsável pelas suas conquistas. Valorize-se. Cuide do que você cativou.
                                                          A SERPENTE.......

"Mas sou mais poderosa do que o dedo de um rei.”
Embora fale sempre por enigmas, é o personagem mais franco de toda a historia.
Ela respeita o que é puro e verdadeiro.
                                                            O CARNEIRO E A CAIXA.


"Desenha um carneiro para mim, por favor.”
“Era assim mesmo que eu queria!”.
Nada pode corresponder ao poder da nossa imaginação. Ela supera o conhecimento, pois não tem limites, e nos impulsiona para novas descobertas.
”Quando o mistério é muito impressionante, a gente não ousa desobedecer.”
              
      

sábado, outubro 30, 2010

VIAGEM INICIÁTICA NA GRUTA DOS CRISTAIS


jardim.jpg Era uma vez uma jovem princesa chamada Rosália. No palácio, passava geralmente despercebida, pois era uma jovem simples e sem história. A atenção das pessoas da corte estava totalmente monopolizada pelas extravagâncias de suas duas irmãs mais velhas, que não paravam de discutir ao longo do dia. Qual delas seria mais bonita, qual ridicularizaria ministros e outros conselheiros, qual seduziria o maior número de pretendentes para zombar deles em público. Até o rei, constantemente importunado pela avidez estúpida de suas filhas, não sabia mais que presente inventar. Os mais belos vestidos, os espectáculos mais pomposos e as últimas carruagens conversíveis conseguiam distraí-las apenas alguns instantes e o pobre pai já não sabia como dar jeito em suas filhas. Às vezes Rosália o surpreendia pensativo e triste e não lhe perguntava nada, como se pudesse ler em seu coração. Vinha acomodar-se junto a ele, pousava sua mãozinha sobre seus joelhos e os dois ficavam alguns instantes em silêncio. Quando a jovem retirava sua mão e levantava-se para despedir-se, não deixava de apreciar a cada vez a centelha de alegria que acendera no olhar de seu pai e assim, certa de seu amor, Rosália partia com o coração leve. Sentia-se plenamente satisfeita e não necessitava de mais nada. De manhã, enquanto suas duas irmãs estavam ainda profundamente adormecidas, cansadas pelas tolices que tinham o hábito de prolongar até tarde da noite, a jovem princesa dava uma volta no parque do castelo. os jardineiros tinham-se tornado seus amigos e como a gentil princesa não esgotava nunca os elogios para eles e os cuidados que davam as plantas, eles redobravam a obstinação no trabalho. Revezavam-se para que a jovem tivesse sempre um buquê de flores frescas na beirada de sua janela. Alternadamente, toda a manhã iam colher cuidadosamente os mais elos botões, seleccionando os que estavam a ponto de abrir-se e depositando-os no vaso de cristal, presente que haviam dado à jovem para os seus 15 anos.
rosas.jpg As duas mais velhas, Berta e Josefina, enciumadas com o bom humor constante da irmã mais nova, não perdiam a oportunidade de zombar dela e repetiam-lhe, continuamente, que era perigoso relacionar-se com operários, especialmente esses porque estavam cobertos de terra e não ficava bem uma princesa aceitar presentes de homens tão grosseiros. Em seguida partiam, arrastando atrás delas observações maldosas a respeito da irmã mais moça. Rosália preferia calar-se, mas seu coração tornava-se pesaroso e o desgosto se espalhava nela como uma chuva gelada ruim. Naquela manhã, quando a jovem princesa abriu os olhos, os pássaros já cantavam alegremente e os primeiros raios de sol começavam a filtrar-se através das fibras de suas cortinas de seda. Com um pulo ela ficou de pé e, como fazia todas as manhãs, puxou as cortinas e inclinou-se com graça sobre o buquê de rosas púrpura que um de seus amigos jardineiros já viera colocar sob sua janela. Aspirou longamente o perfume que flutuava em torno das flores, depois, com um sorriso nos lábios, vestiu-se rapidamente para dar sua volta no jardim antes do café da manhã. Tinha o hábito de termina-la pelo lado do jardim onde, entre margaridas, gladíolos e girassóis tinha-se desenvolvido admiravelmente uma magnífica roseira trepadeira. O rei, seu pai, mandara instalar um banquinho bem em frente ao arbusto para que a jovem pudesse admirá-la em completa quietude. De fato, ninguém havia visto em nenhum lugar do reino e, alíás, em nenhum reino vizinho, flores tão belas e generosas. Centenas de botões com nuanças sutis esperavam abrir-se para encantar a princesa, e as hastes do arbusto haviam crescido muito alto, bem além das grades que as sustentavam.
jardim1.jpg Mas naquele dia a princesa não reconheceu seu canto de jardim. Tudo havia sido devastado. As rosas cortadas e pisoteadas, as hastes quebradas, as folhas esmagadas e o tronco cortado. Diante de espectáculo tão desolador, a jovem rompeu em soluços, com o coração partido. Só podia ser obra de suas irmãs malvadas. Mas seu pranto de nada adiantaria, o mal estava feito. Por muito tempo, a jovem permaneceu curvada sobre si mesma, desesperada. Parecia-lhe haver perdido o que de mais belo havia no mundo e que nunca nada a consolaria da morte de sua roseira, quando de repente, seu olhar foi atraído por algo brilhante, meio recoberto pelas folhas esmigalhadas. O apelo era mais forte que seu desgosto e, como que empurrada, sem querer para aquela coisa, aproximou-se e pôs-se a afastar as folhas que a escondiam. Era uma ponta de cristal, ainda enterrada pela metade na terra, extraordinariamente cintilante, como ela nunca vira.
cristal.jpg Esquecendo seu pranto, a jovem princesa pôs-se imediatamente a cavar com seus dedos nus e, pouco depois, havia soltado quase inteiramente uma maravilha de beleza tão rara que ela esqueceu todo o resto. Aproximando-se mais, transpondo a tela de azul ofuscante que a pedra projectava em torno dela, a jovem começou a distinguir dentro do cristal um verdadeiro tesouro de formas e cores. Primeiramente, havia uma espécie de nuvenzinhas penduradas aqui e ali nas paredes límpidas da pedra. Depois, como se estivessem pousados sobre estas nuvens, flutuando num céu puro e translúcido, uma miríade de arcos-íris de todos os tamanhos: vermelhos, laranja, amarelos, verdes, azuis, violetas e depois também o rosa, rosa-escarlate e, bem no meio, pareceu-lhe cintilar uma mancha de ouro. A seguir, como que aspirada por uma das facetas do cristal, totalmente fascinada pelo mundo mágico que se oferecia a ela, a jovem princesa viu primeiro a mancha de ouro aumentar um pouco; depois foi como uma gigantesca explosão de lantejoulas douradas e Rosália perdeu a consciência. Isto durou apenas uma fracção de segundo e a jovem já recuperava seus sentidos e tornava a abrir os olhos.
gruta3.jpg O espectáculo que se apresentava à ela, inspirou-lhe imediatamente imensa alegria. Em torno dela erguiam-se as paredes atapetadas de jóias, todas mais brilhantes umas do que as outras. Reconheceu primeiramente as verdes esmeraldas, cujos reflexos inundavam uma parte da gruta; depois os rubis, bem ao lado, cujo brilho vermelho púrpura rivalizava delicadamente com o azul profundo das safiras e o azul esverdeado das águas marinhas. Destas paredes cristalinas emanava uma espécie de força magnética irresistível, e a jovem sentia-se transportada, sem querer, de uma a outra. Demorou-se algum tempo junto dos topázios, admirando ora o azul translúcido de uns e depois o aspecto melífluo dos outros. Um pouco mais longe, havia alguns de cor castanha e pareceu-lhe que faziam parte da mesma família. Retrocedendo, descobriu ainda, bem no alto, mais tímida mas igualmente misteriosa, a pedra lunar em seu brilho leitoso; levantando a cabeça mais um pouco, descobriu num estremecimento de êxtase, que o teto inteiro estava também, atapetado de jóias. Havia ali, principalmente, ametistas e Rosália ficou fascinada durante algum tempo por aquelas pontas lilases, violetas e às vezes quase rosadas, como um tapete de veludo reluzente. Como se fosse arrancada de sua contemplação, a princesa sentiu-se de repente atraída por uma zona azul-noite respingada de lantejoulas douradas; pareceu-lhe que devia ser o reino do lápis-lazúli. O tempo havia parado há muito para Rosália e ela esquecera totalmente seu querido jardim. Nem por um segundo preocupou-se de ter deixado os seus es de saber onde se encontrava exactamente. Sentia-se tão bem nesta gruta misteriosa que lhe parecia encontrar-se no Paraíso.
gruta_lago_azul.jpg De repente, foi tirada de sua contemplação por uma voz que parecia vir de outra extremidade da gruta. - Cara Princesa, aproxima-te. Não tenhas medo. A jovem dirigiu-se logo, confiante mas levemente intimidada, para o fundo da gruta que, em sua fascinação, não lhe chamara a atenção. Passou rapidamente diante dos misteriosos Ônix, dos rutilantes olhos-de-tigre e das opalas furta-cor, prometendo si mesma demorar-se ali mais tarde. Naquele lugar, a gruta descrevia uma leve curva e, com o coração palpitante, a jovem descobriu de repente o que o cotovelo rochoso lhe havia ocultado até então. Centenas de pontas cristalinas e de diamantes lançavam em sua direcção seu fogo de luz dourada. Teve que fechar os olhos por algum tempo, ofuscada por tanta claridade. Quando tornou a abri-los, habituando-se pouco a pouco à intensidade da luz ambiente e reunindo toda a sua coragem, Rosália pode distinguir as poucos os contornos de um trono e, sentada sobre ele, uma forma humana masculina, totalmente translúcida e cristalina. Emanava dali uma suave vibração de amor e de sabedoria e assim também eram as entonações de sua voz quando se dirigiu a ela: - Cara princesa, nós te conhecemos à muito tempo e estamos mais do que felizes em acolher-te no seio do reino cristalino. Muito poucos humanos encontram o caminho de ingresso para este templo e se o encontram, raramente chegam até mim. É a inocência de teu coração que te conduziu até aqui, assim tu serás dignamente recompensada. No caminho de volta, poderás levar contigo todas as pedras preciosas que desejares e teus bolsos serão sem fundo, extensíveis ao infinito. A jovem agradeceu e calou-se por alguns momentos, absorvendo simplesmente as radiações benfajezas que se desprendiam deste ser de luz. A seguir, teve a coragem de acrescentar: - Meu pai está frequentemente triste e minhas irmãs são tão desagradáveis porque, no fundo, devem ser muito infelizes, mesmo que elas não o saibam. Podes fazer alguma coisa por eles? - Sim, cara criança, toma este anel e coloca-o no dedo mínimo de tua mão direita. Vai agora fica sabendo que levas contigo a bênção do reino dos cristais e dos seres de luz. A jovem princesa inclinou-se em silêncio, deu meia-volta e começou a retornar ao ponto de partida. Rapidamente encontrou-se diante da parede azul-noite e uma voz fez-se ouvir: - Eu sou o cristal da inspiração e da sabedoria. Leva-me contigo. Mas a jovem, fascinadas pelas vibrações de sabedoria que emanavam da parede, esqueceu totalmente mais uma vez, quando um pouco mas tarde saiu de seu devaneio, foi embora de mãos vazias mas com a impressão de ter recebido um presente imenso. Um pouco mais adiante, os citrinos, que ela ainda não havia cumprimentado, lhe ofereceram a ternura, as ágatas sua protecção, o âmbar lhe prometeu sucesso. A cada vez ela agradecia calorosamente, passava algum tempo em companhia da pedra, sorvia profundamente as qualidades de cada jóia, mas teria ficado com o coração partido à ideia de arrancar uma só pedra que fosse de sua gruta natal. A opala lhe ofereceu, assim, dizer sempre a verdade, mas também avisá-la sempre que alguém tentasse enganá-la. A ametista lhe prometeu acompanhá-la em todas as transformações que sobreviveriam nela e em torno dela ao longo de sua vida; o quartzo rosa garantiu-lhe quaisquer que fossem estas transformações, sempre se fariam sob o signo do amor e da confiança. A azurita lhe presenteou a confiança; o jaspe, a vontade; o topázio e a turquesa lhe conferiram o encanto de todas s princesas belas reunidas. Prosseguindo assim seu caminho, Rosália recebeu tantos e tantos presentes que foi incapaz de lembrar-se de cada um deles. Entretanto, ficou particularmente sensibilizada pelo amor do rubi, a alegria do coral, a tranquilidade da aventurina, a paz da água-marinha, a harmonia do quartzo rutilado e a compreensão da malaquita. Porém, na passagem, a hematita lhe havia tranquilizado as batidas de seu coração e o ônix lhe devolvera a força, pois ela começava a sentir, apesar de tudo, a fadiga de sua incrível aventura.
2_06.gif O heliotropo despertou, na passagem, a compaixão que ela sentia por seu pai e suas irmãs, mas a esmeralda lhe cochichou ao ouvido todos os tipos de motivos de ter esperança de cura-los, o que o zircônio imediatamente confirmou. E como a safira não estava longe, reforçou nela esta certeza. Quando havia quase alcançado o lugar onde aterrizara na gruta, no último momento, a pérola insistiu para que levasse a honestidade e a turmalina ofereceu ainda o dom de reconciliar as pessoas entre si. A jovem princesa não teve dificuldade em aceitar todas essas qualidades, pois lhe parecia que precisaria muito delas para cumprir todas as tarefas que a esperavam na vida, só a pequena opala de fogo teve de insistir um pouco. Rosália, que era uma jovem quase perfeita, tinha um pequeno defeito: era séria demais. Embora não compreendesse imediatamente para que lhe poderia servir o humor, como não queria ofender a pequena opala de fogo, acabou assim mesmo levado o humor. Depois, chegando a seu ponto de partida, plenamente satisfeita, a princesinha sentou-se em uma espécie de nicho que a rocha formava neste lugar, recoberto de jade e de dioptásio. Foi o jogo harmonioso entre essas duas nuanças de verde que a tinha atraído mais particularmente. E quando não esperava na verdade mais presentes, já que recebera tantos, o dioptásio lhe encheu os bolsos com mais riquezas. O jade começou a envolve-la numa nuvem verde claro: ele havia decidido leva-la para a primavera. Rosália teve de fato a impressão de ser levantada nos ares , bem rápido, pode distinguir ao seu redor, levemente velados pela nuvem de jade que ainda a envolvia, os contornos da ponta do cristal pela qual ela fora aspirada algum tempo antes. Na verdade, quanto tempo?
gf29.gif Rosália foi propulsada para fora do cristal, exactamente pela ponta, e colocada delicadamente no chão diante da moita de rosas. Foi apenas naquele momento que a princesa teve consciência do tempo que deveria ter decorrido desde sua partida. Enquanto recuperava pouco a pouco os sentidos, Rosália viu, com imensa alegria, que novos rebentos haviam começado a crescer sobre o tronco e as hastes mutiladas da roseira, e foi com o coração leve que se dirigiu ao palácio. Na curva do caminho, viu um de seus amigos jardineiros que estava justamente compondo um buquê habitual. Enquanto se aproximava dele para cumprimenta-lo e agradecer-lhe, este a viu de repente, levantou-se com um pulo, visivelmente surpreso, e prosternou-se respeitosamente diante dela. A princesa ficou muito surpreendida por este estranho comportamento. Mas algo lhe fez baixar os olhos e qual não foi estupefacção quando viu que suas vestimentas estavam cobertas de pedras preciosas reluzentes: safiras, esmeraldas, rubis e diamantes, seus cabelos estavam trançados com opalas, jade, ágatas e todo tipo de cristais multicores. E o diamante que ela usava no dedo mínimo da mão direita lançava mil reflexos, iluminando tudo quanto se encontrava em torno dela, como o teriam feito dez sóis. A princesa compreendeu o que ocorrera, convidou o jovem jardineiro a erguer-se e prosseguiu seu caminho em direcção ao palácio. Sobre os degraus da grande escada de honra, encontrou primeiro seu pai. Por seu aspecto ansioso, ela compreendeu que deveria ter estado ausente por tempo suficiente para se preocuparem com o que lhe ocorrera. Ele também não reconheceu sua filha imediatamente. Sua pequena Rosália, que sempre fizera questão de vestir-se modestamente, estava agora adornada com um vestido faustuoso, bordado com pedras preciosas, e dela emanava tanta luz, alegria e amor que todas as coisas e todas as pessoas que se encontravam ao seu redor eram instantaneamente transformadas e também se punham a irradiar amor, alegria e luz. Quando as duas irmãs viram o que acontecera à mais nova, seus rostos ficaram no início deformados pelo ódio e o ciúme, mas bem rapidamente também foram arrastadas na vibração de felicidade que agora invadira todo palácio. De todos os lados partiam os risos e cada qual celebrava assim o retorno da princesa. Como sob efeito de um toque de varinha mágica, as pessoas tinham esquecido todas as suas preocupações, todos os seus rancores, todas as suas dores e todas as suas doenças, e apenas brincadeiras e conversas amáveis eram trocadas por toda a parte. O rumor expandiu-se com rapidez em todo o país. Diziam que a princesa voltara transformada após uma viagem em um misterioso país longínquo. Cochichavam que ela teria sido iluminada, sem compreender muito bem o que isso queria dizer. Mas muito curiosos começaram a ir ao palácio e a princesa recebia de bom grado todos aqueles viajantes vindos dos quatro cantos do país e até dos países vizinhos. Todos, velhos ou jovens, homens ou mulheres, pobres ou ricos voltavam curados, com o coração leve e um sorriso nos lábios. O rei, seu pai, recebia todos os dias jovens e ricos pretendentes, vindos de longe para pedir a mão de sua filha. Mas, de momento, nenhum deles conseguira ainda conquistar seu coração... Esta foi a viagem iniciática de Rosália na gruta dos cristais. Ao acompanhá-la, seu inconsciente participou, literalmente, desta iniciação e o que seu inconsciente viveu, ele o considera verdadeiro; você também trouxe desta aventura, presentes de claridade, de coragem, de sabedoria, etc... e alguma coisa no fundo de você se transformou.
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